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Morte materna: não vamos privar as crianças do colo maternal

Artigo cadastrado dia 11/10/2017
Deputado aponta dados sobre a morte materna, e luta para criar políticas públicas que facilitem o acesso ao parto bem assistido e durante toda gestação

Quero abordar um tema que considero pouco discutido até, mas que, por incrível que pareça, ainda tem índices altos em nosso país, a mortalidade materna.

 

Sempre que recebemos uma notícia de uma mamãe que perdeu a sua vida durante o parto, nos questionamos sobre como isso ainda acontece. A medicina tem evoluído tanto, mas mesmo assim estas notícias ainda roubam a felicidade de trazer para o mundo uma nova vida.

 

No entanto, o fato é que cerca de 830 mulheres morrem de complicações com a gravidez ou relacionadas ao parto todos os dias, segundo dados da Organização Mundial da Saúde - OMS. Entre as principais causas estão a hipertensão e hemorragia após o parto, infecções e aborto, e ocorrem principalmente pela má qualidade da assistência no pré-natal e no parto.

 

Na verdade, o Brasil já fez muitos progressos nos últimos anos na redução da mortalidade materna, mas ainda está longe do ideal. Segundo o Ministério da Saúde, a mortalidade materna no Brasil caiu 58% entre 1990 e 2015, de 143 para 60 óbitos maternos por 100 mil nascidos vivos. Estes números são bastante heterogêneos e podem variar conforme a região do país, de 44 até 110 óbitos por 100 mil nascidos vivos.

 

A morte materna pode ocorrer durante a gestação ou 42 dias após o parto, momento em que mulheres são acometidas por doenças obstétricas, em razão da gestação ou por complicações de doenças pré-existentes. Quando há condições de risco, estas merecem um pré-natal mais cuidadoso.

 

As principais causas de morte estão associadas à qualidade de vida e de assistência da paciente, por isso os indicadores são piores em países em desenvolvimento e em locais com poucos recursos.

 

Segundo a precariedade da assistência, a hemorragia assume como primeira causa de morte materna. Elas acontecem, principalmente, por partos mal acompanhados, por ruptura uterina e problemas com a placenta. Sendo que o parto cesariano eleva o risco da placenta ficar aderida e a mulher ter hemorragias.

 

Nos grandes centros, a hipertensão acaba se destacando, pela da má qualidade do pré-natal. No estado de São Paulo, a pré-eclâmpsia é a causa mais comum para a morte materna. Sendo uma doença grave, relacionada ao aumento da pressão arterial, pouco entendida e com evolução rápida e imprevisível, a pré-eclâmpsia surge depois de 20 semanas de gestação, com sintomas que se sobrepõem e que podem ser considerados normais na gestação, como inchaço, dor de cabeça, ganho excessivo de peso e dificuldade de respirar.

 

Todos os anos, quase 76 mil mães e 500 mil bebês no mundo morrem por causa da pré-eclâmpsia. A doença afeta de 8% a 10% das gestações no mundo e responde por 20% de todas as hospitalizações para tratamento intensivo neonatal.

 

Por fim, muitas mulheres morrem por infecções e hemorragias causadas pelo aborto. É um quadro infeliz, mas frequente.

 

O fato é que nos dias que se seguem ao momento do nascimento, o bebê muito precisa de sua mãe, é muito complexo e triste não tê-la por perto. Por isso, todo esforço para criar políticas públicas que facilitem o acesso à assistência médica durante toda a gravidez e a um parto bem assistido se faz necessário. Precisamos baixar esta estatística e não privar crianças do confortável colo maternal.

 

 

* Artigo extraído de discurso apresentado na Câmara Federal.

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