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Não desista dos nossos Animais!

Artigo cadastrado dia 07/02/2018
Jefferson Campos fala sobre o número expressivo da morte de animais em estradas, priorizando o fato, não apenas para conter views em redes sociais, mas sim, para transformações reais

O ano de 2018 começou de uma maneira interessante. Protetores de animais festejaram o desembarque de centenas de bois no Porto de Santos que seriam exportados para a Turquia.

 

As timelines das redes sociais se encheram de frases como: “vitória dos bois”. Me interessei, afinal amo os animais, imaginei que iriam para algum santuário e fiquei curioso, pois são tantos bois não é mesmo? Contudo, obviamente, a iniciativa só serviu para que os bois tivessem um adiamento de sua morte. A verdade é que a vitória é dos protetores, os bois continuarão morrendo. No entanto, este não é um texto de um vegetariano sobre comer ou não carnes, mas sim um texto sobre prioridades.

 

O brasileiro tem um incrível problema em detectar prioridades.

 

Moveu céus e terras por causa de 20 centavos, mas não se importa com a corrupção. Toma partido de siglas, se envolve em verdadeiras brigas por pessoas, políticos e juízes, quando deveria desejar que quem rouba ou age desonestamente seja julgado e punido.

 

 O mesmo se dá nas causas animais.

 

Há uma impressionante realidade acontecendo diariamente com nossos animais silvestres e muitos deles quase instintos que ninguém se dá conta. Ninguém luta, ninguém divulga. Chego a pensar que a proteção animal no Brasil é mais um “oba oba” para gerar views em rede social do que uma bandeira propriamente.

 

Milhões, repetindo, milhões de animais selvagens morrem anualmente vítimas de atropelamentos em nossas estradas. O número aterrorizante é de que possivelmente um milhão deles morram por dia. São de 15 a 17 animais a cada segundo.

 

Este número se refere aos vertebrados terrestres, tais como cobras, sapos, macacos, cachorros e gatos do mato, capivaras e muitas espécies ameaçadas de extinção, como o tamanduá bandeira, onça parda, lobo guará. Isto sem mencionar os impactos materiais que estas mortes causam nos veículos e estradas e até mesmo nos ferimentos, alguns fatais, causados aos humanos.

 

Esta estimativa teve início em 2012 através da reunião de artigos científicos sobre a conservação da biodiversidade brasileira permitindo o cálculo da taxa de atropelamento de animais, que depois foram separados por espécies.

 

Um exemplo é um artigo confiável para anfíbios, do Coelho e colaboradores (2012). Este estudo foi realizado a pé, em um trecho de rodovia do norte do Rio Grande do Sul, e encontrou a incrível taxa de atropelamentos 24,7 anfíbios/km/dia. Estenda isso para os 220.000 quilômetros de rodovias pavimentadas no Brasil, o resultado seria mais de 1,98 bilhões de anfíbios mortos nas estradas brasileiras todos os anos.

 

Para dados de estradas não pavimentadas, com poucos metros de largura,  o número de atropelamentos de pequenos animais é bem expressivo, considerando que existem quase 1,5 milhões de estradas não pavimentadas pelo país.

 

Certamente que para a realização do estudo, estas taxas foram ponderadas com outros artigos que demonstram a taxa de maneira mais modesta e para pequenos vertebrados.

 

A malha nacional de estradas considerada foi a de 1,7 milhões de quilômetros de extensão, levando em conta que a mesma taxa de atropelamento calculada para uma rodovia pavimentada não pode ser utilizada para uma estrada de terra.

 

Logicamente, podemos considerar que para este estudo somente foram utilizadas as médias, sem considerar variações sazonais, amplitudes para diferentes regiões do Brasil, que cada bioma possui sua biodiversidade impactada de forma diferente, e muitos outros argumentos totalmente plausíveis e coerentes, e poderíamos reduzir pela metade o número de mortes talvez, no entanto, ainda estaríamos falando em milhões de mortes.

 

Então, caros colegas, jogo a pergunta para este plenário: Onde estão as vozes dos protetores? As lutas, os abaixo assinados por medidas de segurança nos entornos das estradas? Alguém ouve seu eco?

 

Estou falando só das mortes por atropelamentos, fora caça predatória, fora tráfico, fora maus tratos.

 

Passa da hora de revermos nossas prioridades!

 

* Artigo extraído de discurso apresentado na Câmara Federal.

 

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