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Repensando o Fanatismo

Artigo cadastrado dia 23/04/2018
Dep. Federal Jefferson Campos comunica a respeito de nova série do Netflix que mostra a questão do fanatismo, e o quanto isso é prejudicial para a consciência individual do ser humano

O Netflix lançou, recentemente, uma série que recebeu bastante atenção da mídia alguns dias atrás, chamada Wild, Wild Country.

 

Essencialmente, trata-se da transformação de uma comunidade religiosa em política e até criminosa, mas com alguns traços de comportamento que valem uma reflexão.

 

O que realmente causa espanto é que a série documental é baseada em fatos reais e narra a história do guru indiano Bhagwan Shree Rajneesh, autor de diversos livros e que ficou mundialmente conhecido como Osho.

 

A peça é enriquecida com amplo material cinematográfico que a seita produziu na época e que permeia os depoimentos dos membros ainda vivos daquela comunidade. Acreditem-me, isso causa muito estupor, pois tudo que assistimos ali parece coisa de filme, mas não é.

 

Tudo se inicia com a história do tal Guru e sua secretária pessoal, Ma Anand Sheela, ainda na Índia onde tinham um espaço enorme em que pessoas do mundo inteiro se hospedavam temporária e até permanentemente para viver aquela doutrina pregada por eles. De repente, o grupo abandona tudo e decide comprar um rancho na pacata Antelope, no Oregon, interior dos Estados Unidos.

 

Chegando lá decidem construir uma cidade para abrigar a seita. A parte espiritual prega o amor livre e o materialismo. O guru Bhagwan aprecia muito coisas caras e, somente se locomove, a bordo de rolls royces, carros caríssimos até mesmo para quem é rico. Em sua coleção chega a ter 20 desses carros.

 

Os cerca de 50 moradores da cidade estranham tudo muito. Aquele, que era um lugar muito pacato, passa a ter muita gente, com hábitos muito diferentes, transitando por todo lugar. Isso tudo no ano de 1981. Mediante à rejeição por parte dos habitantes daquela terra, os líderes da seita, sem nenhuma delicadeza passam a fazer qualquer coisa para tomar a cidade deles. Desde comprar todos os imóveis disponíveis da cidade até envenenar seus habitantes para que não pudessem comparecer às eleições e assim eleger um prefeito que fosse membro da seita.

 

Assim que o prefeito assume, os rajneeshes, como são denominados os membros da seita, passam a praticar o amor livre nos lugares públicos da cidade. As poucas autoridades que restaram na cidade são derrotadas em qualquer disputa que entram e passam a requerer ajuda do Estado e até do Congresso Nacional.

 

O próprio promotor geral de justiça passa por uma tentativa frustrada de assassinato por parte dos membros da seita.

 

Em certa altura, um grupo multimilionário de Hollywood se junta à seita, presenteando o guru com um relógio de diamantes, cujo valor chegar a um milhão de dólares, provocando ciúmes na secretária do guru, que possivelmente era sua amante. A partir deste conflito, o grupo abre brechas para que o FBI possa conseguir as provas que necessita e, finalmente, processar o grupo e acabar com a comunidade.

 

Perto do que cometeram, poucos são presos e o tal guru sai livre. Por mais surreal que seja, mesmo morto, esse Osho tem seguidores ao redor do mundo até hoje.

 

Neste ponto convido à reflexão, a humanidade é uma raça interessante mesmo, não? No decorrer dos séculos abriu mão daquilo que sabe que é certo, se despindo de tudo que possa possuir, material ou convicções, em favor de uma pessoa que consideram um líder, um guru e até um deus. Ainda que esta pessoa os leve a cometer crimes, como os seguidores do Bhagwan, ou a cometer suicídio coletivamente como aconteceu com os devotos de Jin Jones. Líderes instigaram o assassinato em massa durante a idade das trevas da igreja católica. E, provocaram guerras em diversas partes do planeta, seja para purificar a raça, como fez Hitler ou faz o ISIS, seja para enfiar goela abaixo suas convicções religiosas ou filosóficas. Líderes dividem nações.

 

E para onde vai o bom senso individual de cada um?

 

Além de parlamentar, sou um pastor de igrejas, sigo uma liderança na denominação que sirvo, mas não vou me suicidar, ou envenenar alguém, ou intentar um homicídio, somente porque algum líder possa pensar nisso. Tenho a minha consciência para me guiar.

 

O que é assustador quando assistimos uma série como esta é perceber o quão manipulável as pessoas podem ser e o tamanho da responsabilidade que implica estar numa posição de autoridade. Algo para se pensar.

 

 

* Artigo extraído de discurso apresentado na Câmara Federal.

 

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